Recortes (III)

a gente tem que ser o que é

pq se for diferente

como será?!

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Recortes (II)

na fotografia

a mistura de colírio com visão

despertam o foco

no dilema de ser

– ou não –

o sal

espanta o doce

e o banho é o juízo final

de um filme moralista

de 1975.

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Recortes (I)

 

falta fragilidade neste mundo

de machões sem gentileza

e toda surpresa da vida stressada

são oscilações de hormônio

 – homônimo pensamento –

sem TPM

homem x mulher

“bandeira branca amor”

vamos pro mar…

 

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Do abrir de portas (I)

Portas não necessariamente têm o formato de uma porta.

Podem ser portas invisíveis e te conduzir para a existência.

Portas para o pensamento, ligadas em outras tantas portas que podem ser representadas pela aventura do novo ou até mesmo, pela aventura de estar vivo e celebrar.

Também podem conter a  saga transparente de alguém que deseja sentir e usufruir do presente. Alguém que deseja degustar o presente, mesmo que isso possa de alguma forma representar arranhões, marcas roxas, uma certa tristeza ou saudade de algo que está longe, que já se foi ou de algo que de tão próximo e tão simples se torna difícil ou irreal – apenas para os olhos do coração.

Um coração que bate, uma veia que pulsa, um sangue bombeado nas veias à exaustão. Um sangue que pode ser quente, azul, vermelho, gelado ou transparente.

Para que possamos enxergar o oculto, é só olhar com calma e atenção para o que parece bobagem, mas não é.

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Consumida

Imagem

 

Não havia motivo para comemorações.

A meia calça desfiada tinha dado o recado antes mesmo de sair de casa. Ela pressentia algo triste. Não tinha respostas sobre o que seria. – Apenas mais uma noite (in) feliz – repetia para si mesma sem falsas esperanças.

Uma noite e nada mais; só.

Insistiu em colocar os saltos na rua mesmo sabendo que deveria obedecer ao toque de recolher, minutos antes, previsto pelo rasgo súbito e despropositado na peça íntima. Sabia que encontraria na melhor das hipóteses apenas o ex-namorado e, como não sentia nada por ele, não apresentava mais perigo se expor àquela situação.

Tinha medo de se envolver novamente com alguém, mas, mesmo assim, provocava todos os homens à sua volta. Era imperativo chegar a casa com dezenas de números telefone e sequer lembrar rosto dos donos.

Eram homens invisíveis cujo cheiro só depois de muito banho desprendia da sua pele. Mistura de perfumes e salivas. Um lado do rosto mais arranhado que o outro e, nenhuma solução para as angústias. O pulo certeiro no abismo estava próximo; bem próximo.

A cabeça soluçava de dor. Ao invés de um choro baixinho escutava buzinas intermitentes e o vermelho das luzes da ambulância berrando nos seus ouvidos. Nos olhos, estrelas de uma única cor e em “loop” um verso clichê de pagode comercial como disco arranhado na vitrola. Um letreiro da “Times Square” sem glamour tinha perdido as letras. Lembrava das lâmpadas e como não era ainda domingo e pelas previsões não seria mais, o programa Silvio Santos estava fora da grade da tv.

Não tinha olhos para ver o efeito devastador da overdose de risadas no bar. Sentia apenas o cheiro fétido de água sanitária.

Como se metera numa enrascada daquelas? – era só no que conseguia pensar.

Não era nova, velha, gorda, magra, bonita, nem feia. Era comum e exótica. Ordinária como uma filha que renega as origens, mas profundamente encantadora.

O gosto metálico do sangue em sua garganta e a necessidade de cuspir sem mexer a cabeça. Era impossível mover-se. Braços e mão atados. As pernas anestesiadas e a impossibilidade de prever o futuro. 

Àquela hora, o mundo já deveria ter acabado. Explodido em bolhas numa coca-cola bem gelada. Há alguns meses tinha lido que tudo acabaria em segundos e cinzas. Nem as baratas conseguiriam sobreviver.

A terra explodindo e sua cabeça girando, girando… Roda gigante etílica de inconseqüências embebidas em um chumaço de algodão com clorofórmio. Teria sido seqüestrada?

Gostava muito de jogos sexuais e não tinha paciência alguma para parques de diversão. Despudorada, alguns goles a mais e era um desastre! Fazia “strip” no meio do bar lotado, cantava homem casado, transava com manobrista. Tudo para levar (des) vantagem. Tudo para parecer suja cada vez mais suja. Imunda mesmo!

Tudo para que não parecesse com ela. Tudo para se transformar em outra. Desejo intrínseco de esquecer  o quanto era parecida com todas as outras.

Estudava direito de manhã e estagiava à tarde. Tudo para provar que era mais intrigante e misteriosa que as religiões. Para se distanciar e diferenciar da menina invisível da infância que inventava mentiras em seus diários para que ninguém percebesse o quanto sua vida se resumia à rotina e falta de sal.

Sua arte? Saber instigar. Debruçava na janela enquanto fumava para fazer a polpa da bunda aparecer propositalmente. Quem sabe algum homem naquela festa não se interessaria por ela e depois de três ou quatro palavras, eles já estariam passeando pela casa a procura de um canto escuro, uma escada ou quarto de fundos.

Aquela noite não foi diferente de nenhuma outra exceto por um detalhe: enquanto ele a penetrava com força, ela não pensava na próxima aventura. Talvez um sinal de que o fim do mundo estava próximo. Ao invés de nojo, sentia prazer. Cada vez mais agitada e arfante. Prazer. Estranha sensação para alguém despida de sentimentos. Seca, oca, fervente e borbulhante como larva de vulcão.

Um uivo, um grito, um susto e as unhas dele, grandes, por qualquer motivo engataram na meia calça furada e fizeram-na cair sete andares. Nem deu tempo do susto, do espanto. Estatelou-se no toldo da farmácia.

Viu então as estrelas e percebeu que pela primeira vez sentia-se diferente após o ato e não era efeito do tombo.

Os paramédicos chegaram em minutos e ainda sem enxergar percebeu que respirava. Ela sentia o perfume amadeirado da sorte a lhe invadir como um choque e a certeza de que o fim do mundo estava próximo. Muito próximo

 (01/06/2012)

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Sobre perdas (I)

Para Maria Carolina e Mariana Ribeiro

 

a dor da perda é incomensurável

rasga a carne como espada

– golpe certeiro –

sem perdão

porta sem chave

que não mais se abre

ou fecha

– buraco –

nada mais se encontra naqueles olhos

além de lembranças

que despertam sorrisos

 

voltar e saber que a chave foi perdida

nos olhos de um anjo,

a morte se faz vida

presente de quem pôde sempre

ter por perto

mesmo que longe

àquele que se fez viver

no paraíso de sentimentos

e coisas boas

ao lado direito

– direto –

esquerdo

do coração.

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Medo de dormir no escuro (I)

 

tudo o que grande;

pequeno

tudo o que solto

– transverso –

reverso dos certos

sobras e sombras

prazer

-Pojung-

o signo perverso

o general

o mandante do verso

– o verbo –

conversa amigável

no botequim da saudade

– maldade que passa –

procur(a)encontro

presença e igualdade

Vinícius canta versos

em ponto de gira

tabuleiro de búzios

“tristeza camará…”

em coma de amor

sei que estou

e só quero te abraçar

dá-me tua mão

e teu amor

todo esse

mistério

o apagar das luzes

sem enxergar

bons sonhos que chegam

trazidos da chuva

“maravilha! juventude!”

rica de mim

ter um grande amor

e amigos

a vida inteira

para passar na frente

–  sem situação de risco –

sensação clara

como página de um livro bom

tudo de mim. de nós.

Via lactea

brilha

por nós

 

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