out of the box (IV)

“Os fantasmas bebem comigo quando a lua vem

Eu abro a minha porta todas as noites

Eles aparecem e se apropriam das poltronas coçam meus pés

e bebem meu vinho” – Mário Bortolotto

imaginar o passado

-do outro-

não me leva para lugar nenhum

é apenas um exercício torturante que insisto em repetir

hoje, ele divide a vida, a cama, os banhos, cafés-da-manhã, almoços, jantares, os sonhos

-comigo-

então;

para que me importar com fantasmas no nosso convívio?

porque imaginar as aventuras passadas

-dele-

com que propósito tentar pensar

no que ele pensa

e pior de tudo isso,

imaginar que às vezes ele pensa

-nelas-

se está tudo bem, tão bom…

se somos felizes juntos

– eu e ele –

enquanto dividimos os banhos, as contas, os sonhos, almoços, jantares, cafés-da-manhã

se dividimos as distenções no músculo da coxa, as torções no pé, o quarto, a garrafa de água, a tv, o lençol?

é apenas um exercio besta de tortura

e eu façoporque de alguma forma

eu gosto de conviver com fantasmas,

mas não devia.

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