De deixar de ser (I)

fevereiro 1, 2012

Quando as coisas se aproximam do final
Como esta música que desgasta ouvidos

- ano de dragão –

Sessenta anos do ator global
Sandra de Sá procurando gelo e fogo
Labareda da saudade

- fogo da paixão  -

A música do Wando na vitrola

Modernidade dos velhos tempos

Incrédulas verdades

A repelência da insanidade das horas em que não te vejo
E a loucura das mesmas horas
E a saudade do que nunca passamos

O nó no poema
E nós…

O tempo que ficou cristalizado diante de nossos olhos
Permeando cada poro de nossa pele
Em todo roteiro que seguimos

Para nos sentirmos

- plenos –

Incríveis, loucos, indianos,
Privilegiados totais

No dois + 2 que é 5
Existimos na essência do ser

Essência amálgama das potencialidades
Ser de nós que estão
Juntos

Nós que vibramos percebemos a mudança de tom
E misturamos nossa existência
À essência
Universal

By Juliana Hollanda e Fernão Monteiro.

1 ano e 5 meses <3

fevereiro 1, 2012

Foto by Maysa Britto

Para Justo D’Ávila

 

Quinhentos e quinze dias de emoção ao seu lado.

 

É tanto amor, companheirismo, aprendizado que, às vezes, nem acredito que é possível ser tão feliz com alguém. Você me faz plena e deixa em mim a certeza de que nem mesmo essa inquietude impulsiva e explosiva que tenho vai alterar nossos planos.

 

É impressionante o quanto gosto de seu ronronar tarde da noite em meus ouvidos e do seu jeito quieto de me fazer dormir.

 

Você me acompanha nos sonhos, projetos, estradas. Você me escuta mesmo quando não compreende minha palavras mais duras, mas extremamente honestas. Sei que elas não chegam a ser música, mas mesmo assim, você me faz criança, me mima e cuida das minhas ausências.

 

Você me desperta com um sopro ou olhar. Você me acorda com mordidas certas e me faz cor de rosa quando me chamas: – Menina! – E assim, eu me descubro mais feliz a cada pedaço seu.

 

Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer porque contigo eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade. Descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa e que vale à pena ficar horas te olhando, mesmo que o dia esteja explodindo lá fora.

 

De tudo que temos tão lindo… E, quando eu já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca e mesmo sabendo que te dá cócegas, eu começo a querer coisas que nem sabia que existiam. Sinto um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração que estava tão acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.

 

Quando te conheci eu só olhei pra bem longe. Para muito além daquele Sol e todo o meu passado se pôs junto com ele. Eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e você me abraçou. Por isso, preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo.

 

Você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.

 

Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.

 

Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.

 

Esse amor verdadeiro é como um incêndio na floresta a tudo ele consome e destrói. Tão violento que não existe meio para controlá-lo. É uma tempestade no mar pronta para afogar àqueles que tentam desafiá-lo.

 

Uma força, um poder, ele triunfa e conquista… isso é o nosso amor.

 

Amor como um raio de sol, a canção dos pássaros, o “zzzz” das abelhas, as flores aos seus pés.

 

No teu corpo não peço mais perdão.

 

Nem as unhas ferinas nas paredes da garganta ferem. Nem os nós que fomos, seremos, sejamos mudarão este destino que não demora a qualquer hora. Este destino de destinação. De termos sido destinados à. De estarmos juntos nesta vida que até agora nunca foi não.

 

E o vento escorre como encobre ou escora meu peito quando quero mais rapidez. Quero agora queda à galope, a grandes goles de asfalto ou concreto embaixo dos pés. Concreto armado de verdade. Esse nosso concreto breve. Conserto breve e correto. Leve e real. Tão concreto agora sem o peito esmagado, sem corpo torto, sem flor pisada na contramão.

 

Tanto sangue que vai escorrer por horas. Pela vida toda. Nosso sangue em união e nossa vontade de fazer com que o destino não importe e sim, somente, que estejas lá, durante o caminho, para nos abraçarmos e dividirmos as boas-vindas quando chegarmos. Faz parte de nós. Está a nossa volta e por dentro. Não há jeito de escapar desse amor tão grande que se criou de uma paixão por acaso.

 

Quando te conheci risquei as opções do meu caderninho. Espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.

 

Me fez sentir a menina com uma flor daquele poema. Quebrou minhas pernas. Me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados. Tirou as pedras da minha mão. Suavizou meu soco. Amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança.

janeiro 12, 2012

Quantas escolhas
se escondem
no verso
de um
poema?

Poema para afastar perighetys (I)

dezembro 19, 2011

escrevendo, ouvindo música francesa, vendo Kill Bill na Tv

sorvendo vinho verde
nos meus sonhos
de vento

- brisa do mar -

tanta coisa aconteceu hoje
que nem me lembro!

formigas circundam meu caderno
e quero dançar
na chuva
e e não
matar microformigas

que coisa triste
me prestar a este papel

-exterminadora de formigas -

que coisa triste!

é nessas horas que
encontramos os amigos

para o “je t’aime”,
a “chanson d’amour…”

para fezerem papel ridículo
para nós
ou para ligarem
para um número
quase decsonhecido
- com coragem -
para tentar encontrar a amiga
em dificuldades

é numa hora dessas que o cristal
não quebra
o vinho cai, se usa,
desperdiça,
mas o amor
meu para ele
e dele por mim
ninguém
estraga

em cima do modem,
a máquina,
estraga,
mas o beijo meu é dele
e dele
é meu.

Para toda e qualquer desavisada (o) (s) …

novembro 28, 2011

Não queira me deixar de mau-humor. Não deseje nunca que eu tenha raiva. Não me faça, nunquinha, perder a cabeça.

Não venha me provocar conversando sobre bobagens com meu par. Não venha depois, dissimular dizendo que queria mesmo era me conhecer.

Não tenha o desprazer de me ver de boca pequena. Não queira cutucar o meu ciúme. Nunca se meta nos meus problemas pessoas, emocionais, financeiros e afins sem que eu te peça ajuda. Não venha se apropriar da minha companhia.

Em nenhum momento tente justificar o meu sentir com a razão rasa, ou falta dela, muito menos com argumentos de que “sou insegura”, pois é um erro pensar isso. Quem sabe o que se passa na minha cabeça, na minha cama sou eu!

Quem lava a louça do meu almoço sou eu. Quem coloca remédio para barata nas frestas também e quem me leva café de manhã na cama é quem dorme comigo, então, não venha tentar transferir a sua infelicidade para a minha vida. Não venha fazer inferno onde existe céu. Cuide de seu próprio botox. É você quem paga o cirurgião, não é?

Eu acho feio mulher que não sabe envelhecer naturalmente. Eu acho horrível quem se vitimiza. Quando eu erro, sempre assumo. Quando durmo, eu reflito. Quando tenho que pedir desculpas, eu o faço!

Quando cai cinza no chão, eu limpo. Quando ta frio, eu uso agasalho. Quando eu quero eu bebo cerveja. Tenho problema na vesícula e muito medo de injeção. Eu quero uma vida simples e feliz. Eu não preciso me meter na relação de ninguém para chegar em casa e me achar vitoriosa. Eu não preciso de olhos azuis dos outros para enxergar a vida; eu já tenho os meus.

Eu tenho espelho em casa e há pouco tempo me entendi com o vermelho do batom. Tenho unhas compridas e mania de esmalte. Eu pago as minhas contas. Escrevo para desabafar. Eu me inspiro com coisas bonitas. Eu gosto de me sentir útil. Meu homem é quem me dá beijo na boca e eu lavo as minha calcinhas (de renda) no chuveiro.

Não saio para a noite para brigar e nem para provocar ninguém. Não suporto que pisem no meu calo. Não julgo, mas detesto sermão.

Não queira me ver de cara feia. Minhas bochechas são bonitinhas e meu sorriso pode iluminar a escuridão. Queira ser minha amiga, aliada, nunca o contrário. Não me provoque. Já disse; tenho unhas compridas.

Não me ameace; eu me defendo. Não se meta na minha conversa. Nunca, mas nunca mesmo, me interrompa. Não queira caber nas minhas roupas e nem nos sapatos. Não pense que sou equivocada, frenética, errada. Muito pelo contrário. Tenho gratidão, zelo e alegria.

Protejo meu amor com garras de tigre. Sou mãe defendendo o filhote. Cadela no cio da sua solidão.

Posso te incomodar com minha plenitude, mas deixa para lá. Sossega no teu canto, se não, eu mordo e te arranco pedaço. Não queira viver a minha vida e nem se tornar pessoa ingrata em minha vida.

Não deseje nunca que eu seja ríspida. Não queira saber o peso da minha mão e muito menos um pedaço do meu mundo, meu muro, meu quintal. Não venha enxarcar  com água minha esponja e muito menos me desautorizar ou mentir diante de qualquer que seja a situação.

Não seja sarcática e nem cante”Juju que é meu balangandã” sacudindo os peitos que você não tem. Os meus são grandes e tem melhor caimento. Deixe para quem gosta de mim este papel.

Anote aí; da próxima vez que esbarrar em mim ou você muda de lado ou eu te mostro o que é paz. Não abuse da minha boa vontade. O que é bom e bonito é para olhar e não tocar. E o que é meu ninguém toca.  Ninguém tasca!

Eu corto suas asinhas fácil fácil. Sem disfarce, pena e sem dó.

Para Júpiter

outubro 11, 2011

( 02.05.1997 – 11.10.2011)

por tantas madrugadas
noites mal dormidas,
insônias e tristezas
profundas
passamos

o tanto que entendi de suas palavras
refletidas em enormes olhos amarelos

teu pêlo cinza e macio
de um ronronar forte
constante

chegavas a babar
com minhas mãos
em seu queixo

espalhava gotas delicadas
de saliva
em minha roupa
e me deixavas feliz
com seu sorriso imaginado
em tantos e todos os momentos
em que precisava mesmo
me alegrar

lembro de você pequeno
brincando com os colares em meu pescoço
e do seu pedido lá na feira:
- me leva pra casa?
tinhas o tamanho da palma da minha mão
e em concha te carreguei no colo
até que tivesses autonomia suficiente
para subir em mesas, arranhar sofás,
derrubar lápis,
esconder isqueiros

fostes meu companheiro, amigo,
confidente até quando
pudemos dividir nossas vidas
e nos divertir com a diferença de idade

o curso dos rios
nos afastou
e não acho que tenha sido em vão
a convivência
em teus 14 anos de vida

e sei lá quantos de idade

tua maturidade plena,
as manias,
a preguiça doce
e tua tara por invenções
e guloseimas

- como presunto, atum e comida de latinha -

tua ânsia em me compreender
e ser entendido

o incondicional do amor
nas tuas garras que me arranhavam
sem machucar
e nos dentinhos tão finos
que davam vontade de apenas
observar

o céu dos gatos precisou de ti,
meu Júpiter
agora tens asas
e em algum momento
eu sei
tenho certeza
que vamos
nos reencontrar

voar juntos
e contar histórias

quando esse encontro se der
eu pedirei desculpas
por algumas de minhas falhas e faltas
e por algum instante
teremos a mesma forma
e maneira de comunicação
não sei se pela fala ou olhar,

só sei que juntos
como num baile
vamos dar as mãos
e mais uma vez
miar.

lacunas refeitas (I)

julho 18, 2011

há dias o relógio da cozinha marca 3 horas (da manhã). alguma coisa aconteceu e não saberia explicar o que foi, mas o microondas marca “00:00″ horas.

há dias sem forró na janela. sem som. sem alma, sem vida.

essa casa…

essa casa tinha perdido um coração

e todo mundo sabe que

para funcionar,

a casa precisa de dois corações

você a fazer algazarra na casa

só você para falar comigo sobre decoração,

depilação

sei lá, o assunto, não importa

” você pra mim,

você pra mim “

você  e só você

é capaz de navegar do funk ao samba

de Caê

à música Indie

moderninho como precisa ser qualquer menino,

pra sobreviver

e você vive, menino

aprisionado num corpo de homem

e com todas as responsabilidades

que um homem deve ter

só você, menino

pra fazer o relógio parar

só você, menino

para me fazer agora,

colher

(com a qual agora, comes sua mousse)

Love in between (II)

julho 18, 2011

faminta de você

com fome de estar ao seu lado

 

cada passo nessa casa

cada fumaça no lugar errado,

cada barulho

e essa calmaria que me leva a imaginar o sábado

à exaustão

imagino seus olhos,

seu sorriso

e até a primera coisa

que vais fazer comigo

quando chegar(es)

 

me sinto amparada

nessa falta de abrigo,

no coração apaertado

e em todo o drama

que é estar longe de ti

 

Caetano canta baixinho

a música que você canta para mim

de vez em quando

e eu aqui,

a procurar palavras

para expressar o que sinto

 

outra noite e eu aqui

chorando com a novela

a queimadura está cicatrizando

e amanhã,

vais encontrá-la melhor

a dor no pescoço,

essa inquietude

e quando eu dormir,

só restará o amanhã

e mais nenhuma noite

faltarão apenas horas

para a gente se ver

e minutos, minutinhos,

pequenininhos

movendo a minha vida

com essa expectativa louca

eu aqui, com água na boca

só de imaginar

o barulho da chave na porta

 

vou fazer uma sobremesa para você

aliás;

não vou fazer,

(antes que você chegue)

pois eu não sei abrir latas com o abridor aqui de casa

só vou fazer depois

sobremese, após

sobre a mesa

na cama e em todos os lugares

- chave -

em todas as frestas e festas

em todas as facas e fodas

por toda nossa vida

no lençol novo

- de zebra -

que eu comprei

à lingerie vermelha

com que te receberei

e você vai perguntar:

- mais uma calcinha?

- sim, mais uma

- mas você precisa mesmo disso?

e eu vou responder:

- é claro que preciso!

com doce a gente fica melhor

e aí,

não vamos nos lembrar de mais nada

e sim de esquecer

de tudo, da vida,

do mundo!

 

esquecer da respiração

-morrer para depois viver -

aquecer, despertar,

aquietar

ah!… ficar quieta ao seu lado

é o maior dos prazeres

- adormecer -

“o amor só satisfaz, além da razão”

diz a música

e é tudo a que se “linka”

nossa enrome paixão

e em tudo

que a gente tem de bom

além do “Globo Repórter”

otimisto,

- aposentadoria -

nós para sempre

- juntos -

e esse amor puro,

quente

- entregue -

que é o combustível que nos faz

viver.

Releituras da solidão ( atos II, III, IV, V)

julho 18, 2011

ATO 2

as caravelas lá fora

e eu aqui; pensando

que hoje é domingo

e você já chegou

ou nunca foi

querendo que você

esteja aqui ao meu lado

para ver a novela

eu não consigo parar de escrever

eu não consigo parar de

pensar

futebol na tv

e sem você parado

em pé

na porta do corredor

o casal nacional se despede

vejo eles com alegria,

pois penso em nós

e chegam eles

todos os casais disparatados

do sistema global

e eu penso

em você

 

desde o primeiro dia

que te vi

você estava no comando

e eu chorei com a novela

pensando em você

a novela

- chorei -

de saudade; é claro

de trsiteza; nunca

- só de amor -

de alegria,

felicidade

- consequencia -

de ser sua mulher

 

sou feliz te amando

meu coração bate mais forte

eu escuto o som da rua,

o latido dos cachorros,

os carros velhos que passam,

a vizinha que grita

ATO 3

distante estás

nem sabes que ganhei

uma queimadura nova

terás a oportunidade

de vê-la

ainda,

mas não orgulho

de tê-la cuidado

nos primeiros três dias

o que está sendo

- é -

e não é uma fase

eu tenho certeza

desde o primeiro dia em que eu te vi

eu sabia que a gente seria

um casal

que eu seria sua,

sua, sua,

infinitamente sua

aliás,

sempre fui

desde que eu nasci

eu sabia

que um dia

eu estaria ao seu lado

Ato 4

tudo o que pisca na tv

tem a ver com casal

amor, sexo

- existência -

já reparou quantas vezes aparece a palavra justiça?

a FIAT me pergunta

” o que te move? “

já esqueci a resposta,

mas naquele momento,

refleti,

me fez bem pensar em você

o anúncio da RENNER também fala

de homem x mulher e

a novela tá tão linda hoje …

  eu não ligo para quem torce o nariz

para a tv aberta

a FIAT volta ao carrossel

você no mar

tão longe

lá fora,

junto com as caravelas

e eu aqui presa

em suas grades

nesse infinito

do te amar

do teu mar

o escolher entre qual das duas frases para terminar o poema

sorriso largo

o pensar em ti

em casamento

nos meus desejos de menina

na escolha dos padrinhos

- de verdade -

nos amigos,

em alegria

uma cervejinha para brindar com você

brindo o nosso amor

e o jeito que você me pega,

me acaricia

ATO 5

em sua pele

que toca na minha

nos  sussurros que você dá

no meu ouvido

e nos meus suspiros

gemidos

eu lembro

tão perto

o tempo

que parecer que a gente acabou de fazer amor

- telepático -

é certo

eu imaginei você falando

e senti você

perto

respirei fundo,

olhei o relógio

e percebi que o dia ainda não acabou

não recebi sua ligação

e estamos acordados

quando ouvir sua voz e o “boa noite, amor”

saberei que esta noite

mais um dia acabou

e mesmo que ainda restem

dois para nosso (re) encontro

eu vou dormir

- sozinha -

na noite fria

- com as caravelas -

no mar.

muita divagação, para uma certeza – (Atos I e II)

julho 12, 2011

/ ato I /

 

Para Justo D’Ávila

“dirty little secret”   toca no YouTube

e eu começo com a teoria conspiratória

até que o dedo esbarra em algum canto do teclado

a música para

eu paro

e começa

tudo de novo

e eu paro

e fico tentando saber mais

sobre essa minha síndrome de vinil

esse LP arranhado

que roda, roda…

shhhhhhhh…

ai…o chiado do vinil

não tem nada melhor

nada melhor do que a sua foto bebê

no monitor

a fazer charme para mim

com os olhos azuis

em preto-e-branco

se eu não te conhecesse hoje

nunca imaginaria

que aqueles doces e expressivos olhos

seriam azuis

como os seus

ainda

infantis…

com seu olhar puro de menino doce

- mel que escorre -

em nossas lágrimas

de distância

meu menino azul

eu aqui,

de olhar apagado

imaginando a luz dos teus

- no monitor -

a vida aqui

é muito estranha sem você

fiz nossa numerologia hoje

e somos almas complementares

no meu nome não falta nenhuma cor,

no seu,

falta o lilás

e eu sinto que eu posso ser seu lilás…

a maior parte das minhas roupas

é roxa mesmo!

que

refletidas

no branco de minha pele

mistura(ria)m – se

como galões de tinta de parede

a gente se equilibra,

no lilás…

/Ato II /

 comprei hoje um livro do Byron

e a primeira frase que leio:

“vivi, amei, bebi, tal como tu; morri:…”

e o que vem depois

já não importa…

porque o que importa é

o aqui

e tudo isso que a gente está vivendo

de ter que ficar longe uma semana

para os céticos e insensíveis

pode parecer até histeria,

mas eu não ligo

eu não ligo para o que falam,

ou pensam,

ou julgam

eu só sei do que sinto

e da minha própria resposta

para esta mesma pergunta

cada um sabe de si

e se a filha adolescente da vizinha

está descobrindo os prazeres

de janela aberta

e daí se os porteiros estão olhando…?

cada um sabe de si

e a vida seria tão mais fácil

se essa fosse a regra

não existiria culpa, fatalidade,

acidente de percurso,

mentiras, quedas, rupturas

- corrupção -

só existiria o amor

que cada um conseguisse emanar

para dentro e para fora

e não existiriam: brigas por audiência, motos barulhentas,

helicópteros intrusos…

só existiria a beleza

beleza esta

de tudo o que é (ou fosse )

delicado

aos olhos de quem pudesse

verdadeiramente perceber

o que efetivamente é,

seria, fosse…

delicado.

seria bom que todos os homens soubessem

o que é cinema,

pé na terra,

mão na enxada

e que todos também soubessem o que é embalo na rede,

fruta fresca,

água-de coco,

beijo de novela,

coração apertado e mão gelada

que todos procurassem distraídos

seu par

como aconteceu com a gente

tantas camas desfeitas

para um eterno refazer

é como o crochê

uma longa

eterna colcha

e

é só saber dar o ponto certo

para a linha não escapar

ou puxar-fio

ou (des)fazer

a beleza da vida

é o encontro

e o vazio

a borboleta que voa

avoada

- do bater nos cantos

ao não desistir -

é aprender sempre

e saltar os obstáculos

com pinta de campeão

é a certeza que eu tenho

de que fomos feitos

um para o outro

e porquê

não?

Juliana Hollanda (21:21h – 11/07/11 – at home, Laranjeiras)


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