
Para Justo D’Ávila
Quinhentos e quinze dias de emoção ao seu lado.
É tanto amor, companheirismo, aprendizado que, às vezes, nem acredito que é possível ser tão feliz com alguém. Você me faz plena e deixa em mim a certeza de que nem mesmo essa inquietude impulsiva e explosiva que tenho vai alterar nossos planos.
É impressionante o quanto gosto de seu ronronar tarde da noite em meus ouvidos e do seu jeito quieto de me fazer dormir.
Você me acompanha nos sonhos, projetos, estradas. Você me escuta mesmo quando não compreende minha palavras mais duras, mas extremamente honestas. Sei que elas não chegam a ser música, mas mesmo assim, você me faz criança, me mima e cuida das minhas ausências.
Você me desperta com um sopro ou olhar. Você me acorda com mordidas certas e me faz cor de rosa quando me chamas: – Menina! – E assim, eu me descubro mais feliz a cada pedaço seu.
Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer porque contigo eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade. Descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa e que vale à pena ficar horas te olhando, mesmo que o dia esteja explodindo lá fora.
De tudo que temos tão lindo… E, quando eu já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca e mesmo sabendo que te dá cócegas, eu começo a querer coisas que nem sabia que existiam. Sinto um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração que estava tão acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.
Quando te conheci eu só olhei pra bem longe. Para muito além daquele Sol e todo o meu passado se pôs junto com ele. Eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e você me abraçou. Por isso, preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo.
Você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.
Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.
Esse amor verdadeiro é como um incêndio na floresta a tudo ele consome e destrói. Tão violento que não existe meio para controlá-lo. É uma tempestade no mar pronta para afogar àqueles que tentam desafiá-lo.
Uma força, um poder, ele triunfa e conquista… isso é o nosso amor.
Amor como um raio de sol, a canção dos pássaros, o “zzzz” das abelhas, as flores aos seus pés.
No teu corpo não peço mais perdão.
Nem as unhas ferinas nas paredes da garganta ferem. Nem os nós que fomos, seremos, sejamos mudarão este destino que não demora a qualquer hora. Este destino de destinação. De termos sido destinados à. De estarmos juntos nesta vida que até agora nunca foi não.
E o vento escorre como encobre ou escora meu peito quando quero mais rapidez. Quero agora queda à galope, a grandes goles de asfalto ou concreto embaixo dos pés. Concreto armado de verdade. Esse nosso concreto breve. Conserto breve e correto. Leve e real. Tão concreto agora sem o peito esmagado, sem corpo torto, sem flor pisada na contramão.
Tanto sangue que vai escorrer por horas. Pela vida toda. Nosso sangue em união e nossa vontade de fazer com que o destino não importe e sim, somente, que estejas lá, durante o caminho, para nos abraçarmos e dividirmos as boas-vindas quando chegarmos. Faz parte de nós. Está a nossa volta e por dentro. Não há jeito de escapar desse amor tão grande que se criou de uma paixão por acaso.
Quando te conheci risquei as opções do meu caderninho. Espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.
Me fez sentir a menina com uma flor daquele poema. Quebrou minhas pernas. Me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados. Tirou as pedras da minha mão. Suavizou meu soco. Amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança.